20 Set NAFA Ver Todas

O ex-árbitro internacional António Garrido foi considerado “uma referência” por vários dirigentes, durante as cerimónias fúnebres, que decorreram na Marinha Grande.

“O António Garrido foi um dos melhores árbitros portugueses. Foi ele que deu o grande pontapé de saída em termos internacionais na arbitragem portuguesa”, salientou o presidente da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF), José Gomes.

Este dirigente adiantou ainda que o ex-árbitro foi um “exemplo de trabalho, de formação”, mas também “querer e competência”, que o fez chegar a um nível internacional.

“Esteve em dois campeonatos do Mundo, um campeonato da Europa, feito conseguido depois por mais árbitros, mas é representativo do querer e do trabalho”, exemplificou.

Presente também no funeral de António Garrido, o administrador da SAD do FC Porto Reinaldo Teles disse que “foi um dos melhores árbitros do mundo” e foi uma “referência na arbitragem portuguesa”.

“Hoje já lhe ouvi chamar ícone, já ouvi chamar referência. Foi indiscutivelmente um dos melhores árbitros do mundo e ficamos sempre felizes quando temos alguém que é o melhor do mundo. É obviamente uma perda para a arbitragem, mas a sua memória perdurará sempre”, afirmou o presidente da SAD do Boavista, Álvaro Braga Júnior.

O ex-árbitro Paulo Paraty confessou que “conhecia e admirava desde miúdo” Garrido.

“Na altura, concorria com o meu pai pelos mesmos lugares e objetivos, se bem que o Garrido tenha atingido níveis estratosféricos para a altura”, adiantou.

O ex-juiz acrescentou que foi uma “referência” para si e com quem tinha uma “amizade” fora da arbitragem.

Paulo Paraty também reconheceu que António Garrido “abriu as portas da internacionalização da arbitragem portuguesa”, mas que a certa altura não teve o devido reconhecimento.

“A arbitragem portuguesa virou-lhe as costas quando passou a colaborar com o FC Porto, mas isso não tem por que manchar a sua imagem porque outros árbitros fizeram o mesmo com outros clubes. Mas ele tem uma carreira construída na arbitragem que fala por si e que não deveria ser esquecido porque é faz parte de uma história gloriosa do futebol e da arbitragem portuguesa”, sublinhou.

O presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, Vítor Pereira, marcou presente no último adeus a António Garrido, mas recusou prestar declarações.

O antigo árbitro internacional português morreu esta quarta-feira, aos 81 anos, vítima de doença prolongada.

Foi o primeiro português a dirigir uma final da Taça dos Campeões Europeus (1980) e marcou presença em dois Mundiais de futebol (1978 e 1982) e um Europeu (1980).

A nível nacional, António Garrido assumiu no início de carreira – perante os responsáveis da arbitragem – que era do Sporting, mas acabou por se tornar um adepto do FC Porto.

Contabilista de profissão, António Garrido começou como fiscal de linha num Peniche-Caldas de juvenis em 1964 e estreou-se como árbitro no mesmo ano, dirigindo a partida entre “Os Nazarenos” e o Mirense. Chegou ao topo da carreira nacional e em 1973 ganhou as divisas de internacional.

Foi reconhecido pelo Governo com a medalha de Mérito Desportivo e mais tarde agraciado pelo Presidente da República com o grau da Ordem do Infante D. Henrique.

Depois de ter terminado a carreira como árbitro, foi durante 20 anos instrutor de árbitros da FIFA, observador da UEFA e comissário de árbitros em campeonatos do Mundo.

António Garrido foi membro do Conselho de Arbitragem a nível nacional durante quatro anos. Em 2005 foi ouvido pela Polícia Judiciária como testemunha no processo Apito Dourado, depois de ter sido escutado em conversas com arguidos como Valentim Loureiro e Pinto de Souza.